Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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3.6.09

A Escolha


















Coragem dúbia de trilhos mal traçados!
Inversão de olhar que chora porque se esconde!
Paredes caladas que escutam a raiva cuspida…
Telhas que despedem o luar
Cujo encanto é um dilacerar
Do ensejo desnatado levado num sopro de mar…
Rebeldes falésias de um longínquo amanhã
Trituram ansiedades levedadas em lençóis.
Caem na cama como pétalas sangrentas, salgadas,
Lentas,
Molhadas,
Pesadas…
Fonte termal dorida voluntariamente
Porque dói menos aprender a doer
Do que deixar a dor desfalecer…


S.

2.6.09

O teu Segredo













Não sabes, fingindo…

As cores transformas em cinzas,
Com os lábios cerrados te enganas,
A voz esquece seus talentos!

Há sempre aquele aperto terno e suave,
Que é palavra curta mas extensível,
Flor primaveril em botão aprisionada,
Uma expressão que foge calada…

Os sóis dos teus sorrisos denunciantes,
As brechas por onde a emoção espreita,
O orvalho na alma denunciado,
E o suspiro é libertado, subtilmente.
Ele não mente!

No crepúsculo abres teus aposentos
E libertas o voo que é sonho sem destino,
Viras-lhe, no entanto, o rosto,
Escondes-te desse luar
E teimas ser desse tal divagar
O implacável guardião!

Não fazes mal, não!
É assim que se constrói um segredo,
É nessa magia que cresce um mundo perfeito,
Nesse respirar profundo que sorri
Que o olhar brilha fechado
Diante de um trono molhado
Onde chega a maresia do encanto
E, sem que destapes o teu manto,
Ele deixa trespassar uma luz suave,
Num voo livre de ave,
Que, de vez em quando,
Eu sinto poisar em mim!


S.