Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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4.7.09

FRAGMENTO


















Unidas as mãos,
Mergulham no emaranhado
E soletram a desconexão dos sentidos…
Nada se pertence nem se conhece,
As arestas eriçadas, vértices quebradiços,
Perdido o nexo,
A emoção desvanece
Num nada complexo…

Mescla indecifrável de dias inteiros,
Olhares pronunciados,
Palavras enlodaçadas
Que sentem as asas pesar…
E o vento não as leva consigo,
Nem arrasta o perigo
Desse veneno letal
Que se finge manancial
De amor…

A mente contorce-se,
Os sons levitam,
As vidraças estalam
Ante o grito da fuga
E os anseios falam…

Perante o fio da espada,
Desembainhada por desilusões,
Deambulam as verdades
Contra as paredes do tempo,
Deixando um rasto de fel…
De vidraças está traçado um trilho
Nas irregularidades da esperança,
Onde foi chorado o vinho ensanguentado…

Mas…
De pés traçados,
Passos se fortalecem.
E o horizonte chama,
Ainda incógnito,
Ainda retido na dúvida,
Mas alvo único,
Por decifrar,
Por focar,
Querendo dar-me o sol…

As mesmas mãos solitárias,
Enterradas no labirinto do tempo,
Vão vencendo os enigmas…
Desfalecidas mas determinadas,
Doridas,
Por vezes desmaiadas,
Ou prostradas,
Mas se unem, se descobrem,
Constroem pilares de um novo dia
Que, embora distante,
Chegará!



S.

3.7.09

TEMPESTADE














Rebusco a vida e hoje não sou a de ontem.
A lua aparta o sol e impõe-se, quase apagada…
Velejam meus sonhos
Entre destroços de silêncio, entre o nada
E o mar se aquieta…
Tempestade sou eu, dentro e fora,
Detida nas grades do invisível,
Da estrada de pó,
Oásis impossível,
Fragrância amargada,
Relva seca,
Rosa desmaiada…
Hoje não sou a de ontem.
Sou a de amanhã
Enquanto a alma o ditar…


S.