Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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Just a Silent thought to share

10.8.09

Gravitacional














Gravitacional intento.
Mascarada emoção que se despe
Quando se tenta camufla-la em areais de fugas…
Um momento que, outrora, abriu o mar,
Que assustava num tormento ondular,
E que aquietava num beijo prometido,
Na calada dor do não estar…
Estando permanente em toque de alma,
Puro sentido insubmisso,
Que descalçava os pés das suas defesas frágeis…
Estranho encontro,
Inevitável, impossível,
Entrelaçados corpos sem pele nem cor,
Vozes inaudíveis que se escutavam
Onde nem o sol penetrava…
Loucura, desvairo, delírio?
Apenas arrebatamento rendido
De suspiros de sentimentos vastos,
Fuga de sofrimento nefasto,
Concretização imperativa…
Atracção suprema além da percepção…
Um mundo perfeito numa dimensão atingível
Apenas num pensamento mútuo, concomitante…
Magia instantânea entre mentes e almas,
Corações elevados,
Limites vencidos
Numa realidade para além do real…
Translação de sentidos que se enlaçam,
Que rodopiam entre constelações,
Oscilam no intemporal,
Descem com asas de cristal
Em brilho tão descomunal
Que jamais alguém,
Em tempo algum,
Ousará negar
Que é amor.


S.

9.8.09

A cor das minhas mãos














Tenho nas mãos uma cor.
Um escorrer lento e interminável de voz,
entre transparências e opacidades
cujas nuances dançam de azul a sol,
de erva a brancura,
de negro a rosa perfumado...
Eu apenas olho e contemplo,
bebo seu brilho que me invade,
acaricio o poema que cresce em mim
e sorrio.
Não sei desolhar.
Não me distraio nem esvoaço
enquanto em minhas mãos suar
essa cor de rio e raio de luz.
Perco-me embriagada
e penetro no paradisíaco imaginado...
Corro e flutuo entre pétalas,
abro folhagens entre gotas que me beijam a face,
escrevo a dedos no vento
e sopro-o para onde o brilho ordenar,
de onde emanam as águas
do rio de cor
que escorre em minhas mãos ainda...
Mas, como tudo finda,
fecho as mãos não querendo,
despeço a fantasia
e volto ao casulo
que fui um dia.

S