Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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Just a Silent thought to share

4.9.09

O fim de um espaço negro
















Entre a voz e o calado
Está a espera que arrepia,
Está o rasgo da memória,
Encobre-se a coragem no manto da covardia…

Ali, no contratempo, na luta,
Devolvem-se olhares furtivos,
Gestos altivos,
Amargura e alegria…

Entre a espada e a parede
Escorrem lágrimas e secam,
Desferem-se verbos
E decapitam-se carinhos

E enquanto a demora pernoita
Desfalecem os tendões do desengano,
Desacreditam-se as ilusões de outrora,
Perdido norte num horizonte apagado sem hora…

E, de repente,
Como quem desmente,
Do nada, algures, sem pensar,
O abraço!

Eu chego envolta em palavras,
De olhar traçado de azul e água,
Como quem soletra uma emoção,
De flocos de sol na mão,
E segredo numa brisa quente e suave
Em teu corpo suado e triste
Que no voo de uma ave
A esperança existe…
Que o céu ainda é pintado de magia
E que a chuva ainda sacia
Brotando em ti
A madrugada perdida…


S.

2.9.09

A tua noite











Despem-se as luzes e acorda um luar perfeito.
Apenas um jogo de reflexos estonteantes se liberta
e o perfume inebria sem margens...
A água dormita entre suspiros que vão e regressam
mas a voz fica dançando na paisagem
que é calor, e corpo e sonho deitado,
contemplação...
Os sorrisos meios perdidos esvoaçam nos olhares
e o encanto suspira serenamente...
Sem pressas,
sem contenções,
apenas fluidez de sentidos,
rasgos de memórias,
fantásticas ilusões...
E a alma cresce,
o corpo ganha cores e arrepios,
e vence-se tudo num abraço
que fica embrenhado no areal...
Agora sim,
o ontem se desvaneceu,
apenas o agora,
hoje,
é o instante que se pode gravar
e levar,
deliciosamente,
para o amanhã.

S.