Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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5.10.09

Encruzilhada de um Destino















Estrada perplexa
Ladeada de árvores prostradas.
Riacho recortado em leito nu,
Destino oculto,
Incolor…
Dor.
Olhos quietos e vazios,
Perca!
Um ter imperfeito,
A lamúria da partilha,
Queda!
Vontade perturbada,
Incêndio gélido,
Fuga inconcebível,
Cómoda inquietude
Que supre silêncios.
Conformam-se as esperanças,
Dilata-se a alma,
Compõem-se poemas e canções,
Ri-se, chorando sem lágrima…
A vida sobrevive
Enquanto não há solidão,
Apenas uma certeza,
Sem Outono nem Verão,
É Amor!


S.

2.10.09

Trilhos de Água














Trilhos…
Contornos abismais,
Trépidas escaladas,
Distâncias sem meta…
O relento dispersa as folhas rascunhadas,
Os riscos de alma,
A substância sublime indescritível,
A vontade e a perca…
Esvazia-se e atola-se
Nas saudades,
Na paixão incompreensível
De amores de outrora,
Até que a lágrima se perde,
Beija a espumada tentação,
E apenas promete regresso.
Ainda que se sinta o abraço,
Dadas as mãos da caminhada retomada,
Os rochedos permanecem estáticos.
No não querer reside a intransponibilidade,
Porque não se apaga partes que são do eu.
Todas as palavras que se bebeu,
As canções que desdobravam a alma,
Os estranhos pensamentos concomitantes,
Nada foi em vão,
Não obstante a dor resultante das impossibilidades…
Confidentes, os duros cegos e mudos,
Permanecem perante o olhar,
Guardando segredos invioláveis,
Confessas culpas,
Crimes de emoções divinais,
Pedaços de vida…
Na verdade são feridas
Que não saram, felizmente,
Porque, na realidade,
Quem nega mente,
São pedaços de intensa felicidade.
È assim que nascem os mares,
Nas lágrimas felizes e tristes,
Nos rios de sonhos que desabam,
Nos segredos de alma vertidos,
Devolvidos em saudades
Pelas marés.


S.