Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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8.10.09

Baloiços Dançantes









Cumpridos gestos impensados,
Alargados os prazos dos sonhos…
A mente escapa-se a ponderar
As subtracções emocionais,
O destempero dos dias,
Os esconderijos da alma…
Fingida calma,
Enterra-se viva a amizade,
A verdade,
E camuflada está a consciência.
Não é coincidência
Nem com os invernos,
Nem com as chuvas
Ou temporais da vida.
É a nossa fugida de nós,
É construir cadeias num chão triste e vazio,
É esconder o sol,
Ser frio,
Incerto,
Ser ninguém, portanto.
Mas assim selados estão os aromas,
Esbatidas as cores
E o olhar esquece a ilusão,
A noite é o desconhecido,
A inspiração, uma iguaria queimada,
O amor, uma vã repetição
De palavras decadentes…
Já não há natais com presentes,
Contabilizam-se famílias
E amigos inexistentes.
Já nem há com quem discutir,
Não se chora,
Não se ri.
Forçadas as emoções
Pelos embriagados fingimentos
Perante estranhos
Que nos ladeiam
Sem nome…
Somos baloiços vazios
Dançantes ao vento,
Ressequidos num sol ardente,
Sem destino
Apenas movimento
Esbofeteados pela corrente
Daqueles
Que também se tornaram ninguém.


S.

5.10.09

Encruzilhada de um Destino















Estrada perplexa
Ladeada de árvores prostradas.
Riacho recortado em leito nu,
Destino oculto,
Incolor…
Dor.
Olhos quietos e vazios,
Perca!
Um ter imperfeito,
A lamúria da partilha,
Queda!
Vontade perturbada,
Incêndio gélido,
Fuga inconcebível,
Cómoda inquietude
Que supre silêncios.
Conformam-se as esperanças,
Dilata-se a alma,
Compõem-se poemas e canções,
Ri-se, chorando sem lágrima…
A vida sobrevive
Enquanto não há solidão,
Apenas uma certeza,
Sem Outono nem Verão,
É Amor!


S.