Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

Segue-me. Basta inserires o teu e-mail

Just a Silent thought to share

20.10.09

bocas Aliadas











Levemente,
num olhar de fôlego quente,
enquanto a realidade desmaia,
a voz anestesiada não verbaliza
o que a alma traduz.

Atrasa-se a vontade
no anseio vulcânico de possessão,
degusta-se,
aprende-se,
e lê-se o prelúdio vezes sem conta.

Somos montra,
casulo livre em asas de sol,
encanto incómodo, labirinto...
coordenadas inexcrutáveis
apenas reveladas ao sentir.

Agora sim,
pausadamente
cada lábio se sente,
cada gota geminada,
respirar que se abraça,
quente,
presente...
falésia em queda livre sem chão,
paraíso nu cantado por gemidos,
tremores crescentes,
suspiros detidos,
beijo.

intermináveis versos calados,
manjar de loucura,
sabor inebriante,
movimento levitacional,
clamor de uma pertença.

O infinito será inválido
enquanto a grandeza se avoluma
no enlace perfeito de bocas aliadas...

Oh suspiro leve e profundo
de satisfação perfeita!
O coração se deleita
e as estrelas envergonhadas
culpam o luar
de uma noite mágica.

Apenas incompletas as carícias,
estrangulado o final...
para que seja um continuar perfeito,
inacabado,
pronto a renascer
num deserto morto
onde se torna mais forte
esse beijo
que o desejo
tornou insaciável
para sempre.

S.

8.10.09

Baloiços Dançantes









Cumpridos gestos impensados,
Alargados os prazos dos sonhos…
A mente escapa-se a ponderar
As subtracções emocionais,
O destempero dos dias,
Os esconderijos da alma…
Fingida calma,
Enterra-se viva a amizade,
A verdade,
E camuflada está a consciência.
Não é coincidência
Nem com os invernos,
Nem com as chuvas
Ou temporais da vida.
É a nossa fugida de nós,
É construir cadeias num chão triste e vazio,
É esconder o sol,
Ser frio,
Incerto,
Ser ninguém, portanto.
Mas assim selados estão os aromas,
Esbatidas as cores
E o olhar esquece a ilusão,
A noite é o desconhecido,
A inspiração, uma iguaria queimada,
O amor, uma vã repetição
De palavras decadentes…
Já não há natais com presentes,
Contabilizam-se famílias
E amigos inexistentes.
Já nem há com quem discutir,
Não se chora,
Não se ri.
Forçadas as emoções
Pelos embriagados fingimentos
Perante estranhos
Que nos ladeiam
Sem nome…
Somos baloiços vazios
Dançantes ao vento,
Ressequidos num sol ardente,
Sem destino
Apenas movimento
Esbofeteados pela corrente
Daqueles
Que também se tornaram ninguém.


S.