Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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28.10.09

Orquestra Mágica












Todos os movimentos se aquietam.
As brisas calam-se em vénia prostradas,
as flores recolhem-se
e as folhas não caem... ainda...
A alma brinda
e os poros dilatam silencio
num timbre tão audível quanto águas serenas...
Cobertos os dedos de penas,
compõem promessas,
desenham poemas,
revelam tesouros bebíveis,
como néctar de um fruto divino
que declama na pele
um caminhar peregrino
de prazer...
Curvilíneas as pautas,
onde o bailado é um precioso deslizar
de suspiros encantados,
de ditongos soletrados,
de arrepios rasgados na vara de um violino...
Encantos de menino
feito homem no enlace arrebatador
que é estranha loucura
sem contorno, abissal...
Chegam calados pelo beijo,
despem-se do real
rumo ao desejo,
rostos numa trança perfeita
onde tudo se canta
sem pauta nem compasso,
ao ritmo do abraço
na escuta delicada do sentir.
O coração dilata,
as mãos se rendem,
a vontade levita
e cifradas estão as emoções.
Agora podem cair as folhas,
podem abrir-se as flores,
pode chover,
trovejar,
pode o sol girar
e lua incandescer...
A canção não será afogada,
a clave não vacilará
nas marés dos tempos...
É orquestra invisível
que a sombra não ousará ofuscar...



S.

Quietude Lunar















Quietude abraçada a mel e a cheiro-flor...
Livre a intocável magia, jardim suspenso,
assobio de oceano e concha,
lua feitiço, fábula mito...
Contam-se as distancias inexistentes,
franzidas em nada de água fugida,
o abraço omnipresente, invencível,
de uma nunca despedida...
O areal responde
a versos que absorveu outrora,
restaura pegadas nunca apagadas pelo tempo,
e na sua grandeza eu contemplo
um intemporal cenário de alma.
Tranças de arrepios arrebatados,
chão molhado de suor e prazer,
declamações exaustivas,
falésias de encantamento...
As dunas estendem-se em sorriso aberto,
soletram longos suspiros
que o mar bebe e se sacia,
incontrolavelmente,
sedento sempre
de mais uma gota escorrida...
Contemplo-te, luar sereno
e num mundo tão pequeno,
encontro-te maior que o infinito
na amplitude dos teus encantos
que apenas eu
e o teu mar
ousamos perscrutar....

S.