Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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7.9.10

Um por-de-olhar




Desvia lentamente as pálpebras que o luar adormeceu.
Desce os degraus de todos os teus sonhos
e deposita-os nos lábios espreguiçados da tua madrugada.
Declama tuas delicias no beijo que não aconteceu
e verte uma lágrima de saudade enfeitiçada...

Lança tuas chamas de água e encontra-me,
aperfeiçoa o meu caminhar com pétalas,
adianta-te aos meus passos apagando os espinhos
e estende as tuas asas no meu horizonte.
Silenciosamente...
na subtileza de um anjo firme e sereno,
de um esvoaçar por perto,
com a perfeição do poiso de uma gota em uma pluma... delicadamente...

Ergue o meu rosto sem nada perguntar.
Acaricia meus instintos à beira do teu mar inquieto,
e o vento trará tuas palavras como um abraço,
como o abrigo que me adormece,
como o poisar de um olhar de fogo
que me arrebate a um sonho...

Como uma neblina que apague todos os meus choros
olha-me de longe...
e planta um jardim só teu
cujos perfumes me embriaguem sem que eu perceba
e acorde em todas as madrugadas
à beira de uma carícia de flores e pomares,
licores e sedas...
num mundo perfeito
em que o meu ocaso
seja o teu por-de-olhar...

4.9.10

Aprendo assim...




Eu aprendo
Durante o silencio em que esqueço o que aprendi.
Sou a maré que se renova em mil areais
Em busca de algo mais.
Vão-se as primaveras e nenhuma se repete.
Abre-se o céu e cada estrela tem um novo sorrir.
A timidez das mãos de quem nasce e de quem morre
É o toque subtil que desperta sempre novas poesias.
Assim aprendo
Sem que permita aos dias terem tempo
Porque não se esquece nem detéem
Todas as fragrâncias da vida.
A fábula de todas as flores
É o encanto real da vida.
Aprende-se a dar.
E nada mais importa do que dar
Porque na dádiva de cada verbo
A alma cresce, o orgulho desmaia
E o homem alcança mãos dadas
Que nunca o deixarão afundar.
Aprendo
Para que a minha jornada seja tão diferente da tua
Mas nela eu te encontre
A ti, a ela, a eles…
A todos quantos eu puder abraçar.