Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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11.2.12

Irreverente




Rebelde
esse rasgo de desejo
esse perfume alucinante
de pele suada em seda,
de fogo ardente que se sente
e de suspiro soprado que respiro!

Selvagem
esse luar escondido no mar
essa areia que é teia e sereia,
esse louco beijar de sal salgado de mar!

Arrepiante
essa forma disforme que me enforma,
esse entrar penetrante e afundado
esse agora que é momento e instante
entrega rendida de paz em guerra
revolucionadas sensações de sentir...

Contenciosa
essa tomada de posse possuída
esse despir e vestir de loucura
essa vontade húmida de molhar
essa mulher, flor de colher
de possuir e voltar a ter
com rebeldia,
selvaticamente,
no arrepio
disputado
culpado
de amar!

27.1.12

Ilhas d’ água





Ilhas suspensas
Estendidas,
Encolhidas,
De formas rendidas
Ao sabor de sonhos de água.

Mãos de vento modelam
Esses corpos macios
Como menino vadio
Que, do nada, inventa vida!

Vão de corrida
Atropeladas de azuis,
Águas rodeadas de ar
Que poisam sem pensar,
Que se esbarram em rugidos
Dividindo a cortina silenciosa
Sem porquê,
Do nada,
Esbofeteada!

Mutantes
Cortinados ao sol
Que em valsas seduzem seus encantos,
Beijam-no
Em sonhos multicor
Naquele abraço que desce ao mar
Num mergulho de poetas virgens

E as palavras mortas germinam
Peixes e algas,
Gotas que batem as palmas
E esvoaçam com a alma
De quem sempre regressa
Ao ninho de névoa branca
Em Ilhas suspensas
Estendidas
Encolhidas,
De formas que se deformam
Na película de uma história
Que se reinventa em cada olhar!