Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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Just a Silent thought to share

26.2.12

Quem sou



Desta força que me falta
veste-me a força que me impele.
Rebusco-a na voz,
nos crepúsculos,
nas frases disfarçadas
de quem se esconde
enquanto acende as luzes do meu caminhar...

No ar que me falta
sopra em mim a brisa
que não preciso chamar,
que me abraça sem pedir,
e ergue-me as pálpebras tombadas
como estandarte a bailar
denunciante retorno do meu sorrir.

Na mudez do meu silêncio
aquieta-me essa doce chegada,
a atrevida invasão com que me avoluma
num trono de flores
regadas de sabores
que em mim se fazem verbo
se fazem amar
e me fazem acordar
acreditar
quem sou.

20.2.12

Fantasia



Selvagem tapeçaria
enrugada na folia
das avenidas dançadas
e espezinhadas
onde se colam cores,
brilhantes e flores,
rasto de pele suada
sambada,
esculpida
e nua.
Escondidas,
apanhadas e fugidas,
tropeços,
encostos,
deslizes dispostos
a esgrimas sensuais...
Trios de cores arregaladas,
suspiros, gritos banais,
o batuque,
e o truque
de anca ondulante,
seio dourado,
corpo bordado,
enrolado
no vértice da noite.
Segue, pára,
avança, roda, recua,
tapa, descobre,
difarce de lua,
feitiço irreverente,
noite fria quente,
vontade sem lei.
De amanhã nada sei
senão que hoje foi
ontem fantasia.