Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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9.3.12

Há mar e amar mulher!



Há mar e amar mulher!
Desejada mulher de mar amante…
Águas violadas
De virgindade nunca perdida
Leito de batéis
Velas sem pavio
Vestes sacerdotais
De quem ensina o frio
E a carícia de uma onda menina
Sereia sem ser
Além de entrar à alma num olhar repentino
E possuir o corpo, desatino,
Destino
Predestinado
A uma ilusão sem rasto.
Apenas espuma e mastro
Num mar redondo embaciado
Pela noite que apaga os fogos
De além cinzas e azuis…

4.3.12

Querido Inverno



Hoje quero despedir-te aos pouquinhos.
Vou soprar-te as cores tristes douradas,
cobrir a tua nudez nas estradas
e beijar-te na partida suave para um sono distante...
Eu acendi um pouco mais o sol
aquele que afugentaste há dias,
que venceste com as madrugadas frias
e que hoje eu puxo para o meu horizonte...
Mas não te vais zangado!
Levas como meu legado
a saudade do leito aconchegante,
a melodia da lareira lida ao luar das velas
e o meu olhar distante
como de um romance
que não volta a ter Verão.
Pois vai-te então!
Da-me este tempo mais!
Quero passear nos teus rivais
entre o verde fresco ensolarado,
sob um sol esverdeado
salpicado de um horizonte florido.
Quero tempo para te esperar,
enquanto a pele beija o areal,
durante os trilhos de mar a meus pés,
até me esquecer como és
e desejar-te de novo aqui.
Hoje ainda não.
Amanhã e depois, e depois...
A pouco e pouco
para que eu te veja ir
sem te ver sumir
além, onde tudo converge com o meu olhar
menos eu!