Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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14.3.12

Mar de olhar rebelde



De tão imenso, também tu tens cadeias
Ainda assim caminhas sobre ti,
Rebolas em teus próprios lençóis,
num monólogo constante.
Teu silêncio é murmúrio de amante
é crepitar de um fogo salgado
em labaredas brancas.
Acolhes todos os sóis
e as lágrimas de todas as tempestades.
Continuas a ser tu!
Um azul rebelde e manso
de sal, adocicado,
onde se deitam todas as marés tristes
e onde acordam todos os momentos felizes.
Enquanto todos te querem
eu possuo-te
porque, não te tendo meu,
assim vais me pertencendo...
Até que eu não exista mais!

9.3.12

Há mar e amar mulher!



Há mar e amar mulher!
Desejada mulher de mar amante…
Águas violadas
De virgindade nunca perdida
Leito de batéis
Velas sem pavio
Vestes sacerdotais
De quem ensina o frio
E a carícia de uma onda menina
Sereia sem ser
Além de entrar à alma num olhar repentino
E possuir o corpo, desatino,
Destino
Predestinado
A uma ilusão sem rasto.
Apenas espuma e mastro
Num mar redondo embaciado
Pela noite que apaga os fogos
De além cinzas e azuis…