Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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25.3.12

O meu bouquet



Os campos estão penteados,
Cabelos chocolate favado,
Parcelas ondulantes,
Paralelas, descendentes
Lençóis de esperança…
Sol levante, grão brotando,
Verso assobiado em bando,
Céu estrelado de asas
Coroando o natal de todas as flores!
Chegaram os perfeitos amores!
As princesas de brincos pendentes,
O chão está riscado às cores
As amendoeiras contentes…
Já dançam a valsa as rosas,
Crescem as rendas nos muros
Tingidos todos os cravos,
Beijados estão os lagos
De nenúfares navegantes…
E eu sou a que viaja e toca,
Que desliza a pele em seus veludos,
Que permite ao olhar um sonho
Que é desejo saciado
No néctar frutado
Das anteras
Daquelas gerberas
Que me fazem sorrir.

14.3.12

Mar de olhar rebelde



De tão imenso, também tu tens cadeias
Ainda assim caminhas sobre ti,
Rebolas em teus próprios lençóis,
num monólogo constante.
Teu silêncio é murmúrio de amante
é crepitar de um fogo salgado
em labaredas brancas.
Acolhes todos os sóis
e as lágrimas de todas as tempestades.
Continuas a ser tu!
Um azul rebelde e manso
de sal, adocicado,
onde se deitam todas as marés tristes
e onde acordam todos os momentos felizes.
Enquanto todos te querem
eu possuo-te
porque, não te tendo meu,
assim vais me pertencendo...
Até que eu não exista mais!