Entrevista com Sidónio Bettencourt na RDP Açores

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Just a Silent thought to share

6.6.12

Seara do tempo





Debulho o tempo atrás dos montes
e junto palavras fósseis
das vozes gemidas em vida.
O sol não vinca o horizonte
que deixou de ser sorriso
nem beijo de nuvem e mar!
E declamo débil esperança
na rega lacrimal qual criança
enquanto enterro um verbo
que o mesmo tempo que se foi
lhe devoverá a alma por certo.
Basta a pureza de um gesto
porque a morte é gestacional
de um rebento virginal
tão belo quanto maior
mais eterno o amor
com que algures a promessa se cumpriu!
Partirei as vezes que for...
voltarei a sentir o sabor
desse reacender flamejante
que a eternidade garantiu
resguardar!

16.4.12

O tempo é um uniforme que teimamos querer despir, mas ele instala-se na pele resistente e teimoso... para nos ensinar que o segredo reside na forma como o cuidamos...
Por vezes nem é fácil esconder, nem é possível esquecer, tão pouco o tempo dissipar ou sequer a novidade conseguir restaurar... Nada toma o lugar que se dá porque já não é nosso.
Deixo na estante do silêncio a vaga de um momento sem cor nem som. Chama-se tempo de reflexão de onde nada brotou além de uma incógnita que já prevalecia...
Que se calem as minhas insanidades num beijo apenas, arrebatado no impulso do olhar com que sou cativada até ao âmago, mas não denunciado.
Quando não escrevo é porque o Inverno venceu-me arrancando-me a vida por inteiro, vezes sem conta... mas, quando escrevo, sinto a hemorragia dos sentidos sem que me esconda nas incertezas, porque escrever é saber ler o que se sente e por isso mesmo, sentir é viver, de vez em quando...