1.9.12
Pontes quebradas
Não estranhes o meu silêncio tatuado,
nem as marcas de um som rasurado,
ou as respostas vazias sem nexo!
Não estranhes o sonho desconexo
que alimento de fome e sede,
abandonado numa rede
ao relento de um tempo perdido...
Não há razão para chorar
apenas vontade de espremer
os tecidos áridos do coração,
sacudir as cinzas envelhecidas
e entulha-lo de esquecimento...
Não te admires
de eu ser a chama intensa
que esconde uma fragilidade perspicaz
sob o sedutor olhar inventado
enquanto cá dentro desmaiado
o amor corrói.
Não te espantes
com a fuga desenfreada,
nem com as palavras ressuscitadas
de um outro momento de glória
que se foi calando
ainda que na memória
seja um estandarte flácido
que define a nacionalidade
do que sinto...
Não te surpreendas
quando eu me cobrir de nuvem
deixando suspensas as pontes que te distanciam
porque enquanto não as vejo
desconfio que a dor não cresce
nem choro
porque as razões estão nubladas
pela cegueira inventada
para que eu sobreviva ainda
um dia de cada vez.
30.8.12
Sintaxe de bagos de uva
No reboliço dos teus olhares fugidios
eu sinto a efervescência de lábios em chama
apelidados de melodia
que descem a meus seios se aninhando...
As balbuciadas palavras entrançadas de suspiros
escorrem vindimadas sem rumos traçados
sem metas de êxtase...
sem luares nem sóis...
E sinto o calcar suave dos bagos doces
acariciantes amantes que me desvendam
enquanto entre os lábios me embriago
desse favo luxuriante e possessivo
vinho mel
na pele
tu...
Ah palavras de néctar espumado
que me trazes ao leito frutado
entre pétalas de rubor
timidamente gemidas
no rodopio que se avoluma,
na delicia desta bruma,
enquanto a maresia nos cobra
o suor luxuriante
delito absolvido
pela maré matinal.
Amortizados os desejos
apetites diluidos na seiva do encanto
e escreve-se o sorriso
o êxtase do agora selado
e o beijo lacra o sagrado
da pertença sem preço
num aroma raro
que apenas nós voltaremos a celebrar!
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