3.9.12
Quem?
Quem és para que as chamas do teu nome me consumam por dentro?
Quantas folhas mais cairão em mim ateando este amor?
Quem poderá responder-me nas horas tristes,
Nas eternidades vazias em que és apenas sombra...
E nas dores que me despem de vida a cada anoitecer???
Quem me abraça sem que doa,
sem que se quebrem as minhas frágeis ilusões,
sem que se queime com o meu incenso...?
Eu viajo entre rodeios vocábulos que me seduzem
e permito-me a devaneios encurtados pelo medo,
enquanto me disto do que anseio
para que em meu seio
não poise mais um sonho
desmaiando nas minhas desilusões...
1.9.12
Pontes quebradas
Não estranhes o meu silêncio tatuado,
nem as marcas de um som rasurado,
ou as respostas vazias sem nexo!
Não estranhes o sonho desconexo
que alimento de fome e sede,
abandonado numa rede
ao relento de um tempo perdido...
Não há razão para chorar
apenas vontade de espremer
os tecidos áridos do coração,
sacudir as cinzas envelhecidas
e entulha-lo de esquecimento...
Não te admires
de eu ser a chama intensa
que esconde uma fragilidade perspicaz
sob o sedutor olhar inventado
enquanto cá dentro desmaiado
o amor corrói.
Não te espantes
com a fuga desenfreada,
nem com as palavras ressuscitadas
de um outro momento de glória
que se foi calando
ainda que na memória
seja um estandarte flácido
que define a nacionalidade
do que sinto...
Não te surpreendas
quando eu me cobrir de nuvem
deixando suspensas as pontes que te distanciam
porque enquanto não as vejo
desconfio que a dor não cresce
nem choro
porque as razões estão nubladas
pela cegueira inventada
para que eu sobreviva ainda
um dia de cada vez.
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