16.9.12
O vinho do meu corpo
Enquanto tu, poema flamejante,
desces-me a pele vindimada,
soletras tua sede com desvario
e imprimes-me em telas de areal deitado!
Pudera eu decifrar meus balbuceios
na vertigem de uma noite descalça,
e nas pausas do teu fôlego apressado
respirar profundamente arrebatada!
Sacia-te no meu colo dilatado!
Que a tua fome se despeça lentamente
e que meus aromas sejam destilados
finalmente,
entre os teus.
3.9.12
Quem?
Quem és para que as chamas do teu nome me consumam por dentro?
Quantas folhas mais cairão em mim ateando este amor?
Quem poderá responder-me nas horas tristes,
Nas eternidades vazias em que és apenas sombra...
E nas dores que me despem de vida a cada anoitecer???
Quem me abraça sem que doa,
sem que se quebrem as minhas frágeis ilusões,
sem que se queime com o meu incenso...?
Eu viajo entre rodeios vocábulos que me seduzem
e permito-me a devaneios encurtados pelo medo,
enquanto me disto do que anseio
para que em meu seio
não poise mais um sonho
desmaiando nas minhas desilusões...
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